Mais uma bem humorada Ciranda está editada no ARTE E POESIA!!!

Agradeço a participação de todos os queridos poetas,
que discorreram sobre o tema alegremente.
Meu carinho especial ao querido poeta HUMBERTO-POETA,
que deu início a esta divertida Ciranda, ao escrever
seu poema UMA SÁTIRA A BILAC...

Agradeço a querida poetisa Tere Penhabe, por essa linda formatação.

Para apreciação de todos amigos e poetas...eis a

CIRANDA UMA SÁTIRA A BILAC...

PARABÉNS POETAS!!!

Com esta ciranda sátira......iniciamos mais um tema dentro das nossas Cirandas!!!!!

No final da página,retirem o Selo de Participação.

Com carinho....sempre!!!
Teka Nascimento.

01-Humberto – Poeta
02-Carmo Vasconcelos

03-Tere Penhabe
04-Beatriz por um triz*

05-Cleide Canton
06-Gui Oliva

07-Célia Jardim
08-faffi

09-Marise Ribeiro
10-Jorge Humberto

11-Sandra Cardoso
12-Marly Caldas

13-Yara Nazaré
14-Nanci Laurino

15-Guida Linhares
16-Sávio Assad

17-Sá de Freitas
18- Ilka Bosse
Bailarina das Letras

19-Mercília Rodrigues
20-Gildina Roriz (Magy)

21-Marcial Salaverry
22-Tobias Marques Sampaio

23-Antonio Cícero da Silva
24-Marcos Milhazes***

25-Edson Carlos Contar
26-Cecília Rodrigues

27-Penhah Castro
28-Maurício Santanelli

29-Lucia Amberget.
30-Maria Thereza Neves

31- Zuleika
32-Virgínia Maria - Estrela Azul

33-Graça da Praia dasFlechas

34-Belquis Ivonne Barés

01- Velhas ávidas
Humberto – Poeta (satirizando Olavo Bilac)

Olha estas velhas, que inda há pouco belas,
foram dos cremes de beleza amigas,
são tão mais feias quanto mais antigas
mas tentam ser modernas “Barbarellas”.

Quantos jovens viris se espantam delas
fugindo do visual de suas fadigas;
e do assédio se furtam às cantigas
que saem de murchas bocas tagarelas.

Deixa em paz, velharada, a mocidade
pra que ela (e também nós) envelheçamos
como as velhotas sérias envelhecem.

Querer roçar, a nos fingir bondade,
tão chochos cepos a tão tenros ramos
não vai sanar o mal de que padecem!

02-Velhos Babosos
(réplica a "Velhas Ávidas")
Carmo Vasconcelos

Olha os galãs senis e despeitados
que em carência não querem ser sozinhos
julgam parecer jovens e ousados
pintando a escuro os ralos cabelinhos

Então fazem assédio às garotas
que podiam até ser suas netas
e elas deixam-lhe as cabeças loucas
deixando na promessa as suas metas

Outros, dados à pena e sua arte
floreiam no verso a sensualidade
pensando: com esta é que vou levar-te...
e elas riem da insanidade

Enxerga-te, galã mal aprontado
que aqui as velhas não têm idade
nem precisam de ânimo alevantado...
e se o não tens tu... resta-te a saudade

03-Velhas e tristes cenas
Tere Penhabe

Olha que cenas tristes, ajeitaste...
pobre Bilac, que era feio como o quê!
Na certa, ao dizer velhas, não pensaste
em nós ou árvores... ou haverá de ser?

O homem, que após triste cinquenta
o que tem a oferecer é mais fadiga
cansaço do custoso, a velha aguenta
e ainda tem que ler a sua intriga.

Eu bem que disse, e o poeta entrega...
Envelhecem como as árvores, não os troncos
pois que não hão de aguentar mais a esfrega...

e para tudo fazem ouvidos moucos.
Agasalhar o sabiá, é o que é preciso
pois valia já não tem para o serviço.

Santos, 11.11.2007

04-Triste sina
Beatriz por um triz*

Olha que triste sina
as velhas que não foram belas nem de meninas
que hoje espantam rouxinois e pardais
num fogo que queima até os temporais

Que fazem da TV sua rotina
entregam-se aos sonhos do Cine Fox
enquanto imaginam voltar à adolescência
nas técnicas ágeis de um botox

Mas ainda haverá o conforto
neste corpo que ninguém mais encantará
quando observar que também tornou-se rouco
e despenado o pobre sabiá

Beatriz por um triz*

11.11.2007_23:24 hs

05-Velhos mas felizes
(apenas lembrando)
Cleide Canton

Pois aqui vou metendo os meus dedinhos,
já farta de curtir os comentários
destes doidos velhos sedentários
que sequer conseguem rir sozinhos.

Alô! Alô! Minha turma de velhinhos!
Está na hora, vamos já para os berçários
pois em breve nós seremos só fossários
e é muito bom que aproveitemos nossos ninhos,

Não se esqueçam de fazer uma oração
escovar a dentadura e bem guardar
escondida dos netinhos curiosos,

Amanhã, logo cedo, leite e pão,
caminhada e mais alguém prá acompanhar
e lembrar o quanto já somos idosos...

SP, 12/11/2007
1:20 horas

06-Velhos ásperos não!
Gui Oliva

Olha lá menino, quando apontas
em versos cantas a velhice feminina,
acredito que não somas tuas contas,
faz tua têmpera jazer em lira tão ferina.

Acusa tempo de vida sim, fadiga não,
mulher velha, ou menina, está latente,
disposta ao prazer de um amor quente,
sempre! cansado deve estar o cinquentão.

Compreendo, desejas envelhecer
sem mais sonhos e quimeras,
não consegues nem mesmo antever,
como Bilac, um conversar com estrelas.

Pena, oferecer ao Mestre em sátira,
o inverso do que o parnasiano dedilhou,
às mulheres-árvores pelas quais
tão delicadamente declamou, lástima...

Aprende Poeta, não sejas amargo,
não sejas áspero, não sejas indelicado,
para que sejas sempre amado!

afinal, as jovens mulheres, benditas,
não têm mais, pela idade, antigos pruridos,
aceitam homens novos e velhos combalidos!

mas é preciso o homem saber reconhecer,
todas exigem delicadeza, atenção e elegância,
o canto de dois sabiás não aceita dissonância!

Santos/`SP 12/11/07
X.X.X.X.X.X.X.X.

Relembrando Olavo Bilac...

O Remorso

"... Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse !..."

Ao Coração que sofre

"...Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo..."

07-É bom não arriscar
Célia Jardim

Pense bem sobre tudo isto
antes da idade criticar
a velha ainda dá um petisco
se o broto pede pra usar

Tem quem goste do angu
tem quem goste do caroço
só não pode a velha dizer pra tu
que isso aqui tá osso

Aparência muito engana
enquanto tu te achas o tal
a velha dá uma de bacana

E aí como é que tu ficas
se o teu já encurtou
não tem jeito, isto não estica

08-Bilac e Eu
faffi

Olha meu poeta querido,
esta cena você não poderia imaginar,
que poetas atrevidos dariam um sopro de vida,
às suas árvores antigas...

Se me atrevo a te plagiar é
porque da janela da minha sala de estar
vejo subindo ao céu,
uma árvore que vi menina...

Vi muitos pássaros ninhando nela,
borboletas azuis esvoaçando
e muitos jovens à sombra dela
jurando um amor incontido...

Não choro minha mocidade... e
me abrigo à sombra dela
contando os dias que vão findando... e
soprando a minha vida.

Fui bela, fui menina, fui querida
e como a sua árvore senhor Bilac,
já floresci nessa longa vida...

faffi / 12 / 11 / 07

09-Caduquice
Marise Ribeiro
(aos queridos Poetas)

Eu não pensei que isto ainda iria ver
Muito menos ter de aprovar
Poetas escrevendo com prazer
Sobre o peso que a idade lhes dá...

Não sei se isso é experiência
Adquirida ao chegarem à velhice
Mais me parece a inconveniência
Que chega junto à caduquice...

Bilac no túmulo a se revirar
Vendo a velhice vendida como xepa
E eu daqui morrendo de gargalhar
Com estes poetas de boa cepa!

10-Bilac na cova
Jorge Humberto

Estou a gostar de ver e de ler
o que estes velhos têm a dizer
sobre um tal Bilac, dito poeta
de árvores escrevia e sua caneta

Pobre poeta que sem o saber
deu para a natureza perverter
chamando as velhas de belas
sem saber o que fazer delas

Logo uns velhos, loucos anciões
mui falaram de alvas dentaduras
cabelos ralos como os padres curas

E de tão injustiçados os aldeões
saíram em socorro do cara dura
perdendo de jeito a compostura

12/11/07

11-Insana número onze
Sandra Cardoso

Com certeza, o poeta Olavo Bilac quando
escreveu o soneto "Velhas Árvores"...
Não imaginou que após um século...
Não seriam eternizadas belas e aconchegantes,
somente as arvores frondosas...
E sim, também as mulheres, sejam elas belas ou feias,
estamos inteiraças de mente e espírito e ainda podemos
embalar junto ao peito uma criança...
abrigamos em nosso regaço um "veinho" cheio de cansaço...
um "passarinho" despenado e com "frio"...rsss
Acumulamos "idade" mas não perdemos a jovialidade...
Em pensar, que as senhoras de 40 anos nos anos 50 eram
tidas como idosas...Tô fóra!!!rsss

12-Bilac sabia o que dizia
Marly Caldas

Bilac sabia o que dizia
Dele não vou debochar
O vento lá fora está a uivar
As árvores antigas apenas a balançar
Acostumadas as tempestades da vida
E as novas a se curvar assustadas
Com medo de se quebrarem
Prefiro ser árvore antiga ainda frondosa
Abrigando tantas coisas na vida
Aninhando tantos passarinhos
Socorrendo tantos passantes
Admiro as novinha e verdinhas
Mas tão bobinhas
Que não aprenderam com o vento se curvar
Para que com ele lutar?
Deixe ele passar e continue no seu lugar
Árvore antiga de fortes raízes
Nada irá lhe derrubar
Ao contrário muito vai proteger
Se é velha ou antiga
É poderosa
Maravilhosa
Corajosa
Bilac sábio poeta falava da árvore mulher
Essas que muitas somos
Não de homens arbustos
Querendo ser robustos
Que desajustes
Arbustos também ficam secos
Nada acrescentam
Enganam
Esquecem o coração
E acabam numa fogueira
Numa festa de São João....

13-SÁBIA IDADE
(Yara Nazaré - 12/11/07)

Velho, velhice, "velhicisse"...
Onde estão que já não os vejo
São faceiros, arteiros, empertigados
Eles, elegantes nos seus ternos
Ou mesmo em traje esportivo
Elas, uns deslumbres de vivacidade
Ah! Sábia idade...

Se a aposentadoria permite
Dentadura já não usam
Fazem implante dentário
Para ostentar o belo sorriso
E o brilho aparecer no olhar.

Vão cedo ao dermatologista
E de lá, saem preenchidos
Com pele lisa "embotoxada"
E se o cabelo enfraquece
Não desistem, insistem...
Recorrem ao "Mega hair"
Passam da queratina, a cola.

Bailam, fazem hidroginástica
Jogam tênis, boliche e voleibol
Contam "causos" engraçados
É comum, no meio da prosa
Tirar uma soneca até sonhar...
Aprontam e tornam-se rebeldes
De longe podem ser ouvidas
Suas gostosas gargalhadas!

São velhas sim, essas "árvores"
De raízes fincadas no solo
Muitas mudas produziram
Muitos frutos foram colhidos
Na sua sombra, muitas histórias
E sábios casos foram contados
E na sua folhagem outonal
Existe uma suave beleza...
Que ainda enfeita a paisagem!

14- Criando eu, criando tu
Nanci Laurino

A Lá Bilac versejando
As velhas árvores de troncos senis,
Troncos dantes rígidos, eréteis.
Saudosas de tantos 'ais' deixados
Idosas falantes a reclamar
Em um sofá posto de lado...
Onde o tempo jaz não levanta mais
Lá está o companheiro
E de suspiros, doces lembranças,
Sobem às tamancas, somente a reclamar
Tal qual reumatismos, encalham seus desejos,
Desesperam-se ao ver os frutos apodrecerem.
Frutos antes duros, amadurecem, murcham
Sem prazer adoecem
Gritar seus gozos nunca mais.

13/11/2007

15-VELHAS LIÇÕES
Guida Linhares

Olha que as árvores do poeta,
em seu majestoso porte e viço,
bem se prestaram ao serviço
de sua sombra amiga e certa.

Mas este jamais será o traço,
das velhas ávidas por beleza,
porquanto em sua natureza,
para o outro, não há espaço.

Os velhos babosos e chorões,
caricatos jovens metamorfoseados,
temem a sombra dos amantes.

Melhor seria que os galantes,
com o saber dos anos privilegiados,
aprendessem com Bilac, as suas lições.

Santos/SP - 12/11/07

16-Quem disse que sou velho?
Sávio Assad

Velho são meus cabelos brancos
Quando arranco a pinça, a estremecer
Gritando em som estridente, entre dentes
Sem dó nem piedade, arranco.

Velho é seu pensamento errante
Que me machuca a testa e o semblante
Que nem de tão semelhante, és
Na carranca estranha e berrante

Velho são seus pés, que não sabe onde vai
Caminha de um lado para o outro e sai
Carregando a ira dos tempos em sais
E vasculhando os cantos e becos com seus ais.

Niterói - RJ - 13/11/2007

17- POR QUE, VELHOS?
Sá de Freitas

Não sei porque falar tanto de idade,
Se os que não envelhecem é porque morrem;
Se os anos impiedosos sempre correm,
E, para todos nós, deixam saudade?

A velha ri do velho e vice-versa...
Cada um não aceita estar quebrado,
Cheio de rugas, fraco e tão cansado,
E joga fora assim, tanta conversa.

Do velho a velha ri da impotência,
E o velho, sem nenhuma complacência,
Deixam as velhas todas magoadas...

E os velhos e as velhas são bem parecidos:
Se os velhos têm seus membros decaídos;
Têm as velhas suas tetas penduradas.

18-UMA SÁTIRA A BILAC
Ilka Bosse
Bailarina das Letras

Pobre rico Bilac, tonteia
tua imagem nesta telinha
Poeta, de sangue na veia
Soubeste guiar a canetinha

Escrevias da natureza o que vias
Das árvores e muita esquisitice...
Tanto falavas dos anciões e dizias
coisas nada comuns da tal velhice

Surpresos, sentimos o quando fazias
ficarem lindas as manhãs orvalhadas
Hoje, atentos seguimos tuas pegadas

Sabias criticar, dando belas gargalhadas
Em papiro alvo registraste sátiras e rias
Tarde demais! No além? Não há fantasias!

Blumenau - SC - Novembro/2007

19-Velhas àvidas ?
Mercília Rodrigues

Nem mesmo cremos se ávidas pudessem
ser velhas ávidas com saber secreto,
a espiar sorrateiras velhões decrépitos
e, com malícia, veriam que padecem !

Murchando no tempo, caem a folhagem
das velhas ávidas pouca a vantagem,
mas em tudo a mãe natureza acerta,
do ancião há coisa que ninguém conserta !

Feiúra pouca será bobagem feita !
Sendo desconexa a avidez das velhas,
mais prolixa a morbidez dos velhos !

Como Bilac reverenciou as velhas
eram amigos e por demais antigos,
ignorou os velhos, o porquê não digo !

20-Satirizar Bilac ?
Gildina Roriz (Magy)

Porque amigo poeta ?
pela sensibilidade de ter ouvido estrelas ?
talvez você jamais possa vê-las,
porque, pelo visto, é um acesta.

Augusto dos Anjos, até admiro...
Sátiras inteligentes são bem aceitas.
Mas, depreciar pessoas e a inteligência ,
é malfadada e triste ingerência.

Penso... Será que idade é defeito?
Li que Bilac era feio...
Irei em sua defesa.
Poetisa , "beleza não põe a mesa ."

Quanto às arvores antigas, e belas...
Absorveram da vida o alimento.
Venceram tormentas e vendavais.
Outras tantas, nunca serão como elas, jamais!

Goiânia, 15/11/07

21-Velhas árvores
Olavo Bilac
Velhas Pessoas
Marcial Salaverry

Olha essas velhas árvores, mais belas,
Do que as árvores novas, mais amigas,
Tanto mais belas quando mais antigas
Vencedoras da idade e das procelas.

Para vencer da idade as procelas,
são idéias das mais antigas,
que confidenciamos às pessoas amigas,
que desejam sempre estar mais belas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

E ouvindo as velhas tagarelas,
sempre entoando as mesmas cantigas,
mais aumentam nossas fadigas,
cansados das vãs palavras delas...

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes  envelhecem;

Na realidade, todos envelhecem,
mas sabendo viver, que envelheçamos
com um sorriso, como na nossa mocidade...

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que  padecem!

De certos achaques e ataques todos padecem,
mas mesmo cansados, nos ampa...ramos,
contando com uma mão forte, cheia de bondade...

22-Por Ser Velho
Tobias Marques Sampaio

E por que a juventude tem encanto
Os mais velhos, então se aproximam
Não hesitam se mexer do seu canto,
Por isto muitos deles se animam.

Se não verem no espelho não sabem
Que a idade se avoluma e põe-lhe freio
Antes que seus últimos dias se acabem
Com artifício escondem a idade e o rosto feio.

Tiram da música a sua sustança
Com brilho e vontade vão ao salão
E se arriscam, a dois, uma alegre dança.

Não ficam, enfim na contramão
Em folguedos se divertem feito criança,
Pois todo velho também tem um coração.

23-MAIS IDADE, SEMPRE MAIS EXPERIÊNCIA
Antonio Cícero da Silva

Aquela velha árvore
na beira da estrada
a examinar a quem passa,
inclusive o vento, que
hora vem brando e hora vem
criando estilhaços...
a velha árvore, hoje já cansada,
com a forte ventania a causar-lhe
as temíveis opressões...
por estar tão fraca,
a velha árvore quebra-se,
com as fortes rajadas do vento.
Mas ela também,
por possuir do tempo
uma larga experiência,
quando consegue, por estar
com a coluna travada,
curva-se perante o vento
que passa por cima da mesma...
e assim, a velha árvore
vai vivendo, ao lado
de muitas novas, sem as
mesmas experiência...

24-Xarada
Marcos Milhazes***

Oh, escrevedor Olavo Bilac
Da poderosa árvore ao fiel barril de Carvalho
Sábios segredos da antiga mulher, ali lacrados
Saborosos, perfumados e enfeitiçados
como a beleza das antigas damas

Oh, dama linda
Da pele escondida em renda
à cor dos cabelos
à delicia do chamego ao jeito,
já com sabor de saudade

Oh, dama macia
Sua beleza sempre é preferida
Suas madeixas tão lindas
Sua boca na cor dos frutos do desejo

Oh, dama da camélias
Seu perfume com sabor de ventre
se misturam por vezes dentre os dentes
e seus seguidores dementes

Oh, dama dos tempos
Quando menina, tão desejada
Quando madura, tão qualificada
Quando antiga, tão querida

Oh, dama da vida
Imaginavas dentre os prazos exigidos
Por tantas vezes julgando-se esquecida
Por tantas, adormecida
Das tantas vezes judiada
De quando procrias a exuberância
Discretamente é percebida nos atos de ida e vinda

Hoje, sem elóquios
Falando do presente, passado e futuro,
concernentes aos tantos homens de fato
que até hoje te veneraram, sem dúvidas digo ao mundo.
Oh dama antiga e misteriosa! És como a árvore-mulher ou o ar!
Porém!
Todos eles jamais deixaram de te amar...

25-VELHA ÁRVORE
Edson Carlos Contar

Deixa, velha árvore
Que façam trovas debochando tua velhice
Eu continuo vindo aqui para encontrar-te
Nesta pracinha, palco da minha meninice...

Acompanhaste minha infância e juventude
Os meus segredos, minhas dores encobriste
Faz tanto tempo, estou velho e combalido
Mas tu és forte e a temporais ainda resiste

Até os nomes que gravei no tronco amigo
Do amor primeiro que sonhei quando criança
Ainda guardas entalhados em teu corpo
Trazendo a mim, dos velhos tempos tal lembrança

Mesmo que passem indiferentes à tua presença
Aqui estarei pelas manhãs de primavera
E no verão e no outono ou no inverno
Eu voltarei para viver minha quimera

E quando, um dia, eu for chamado a juízo
O meu desejo já deixei pra quem ficar
Quero em tua sombra o abrigo de que preciso
E aqui para sempre estarei a te abraçar.

ECC/ Campo Grande (MS), nov/2007

26- Árvores
Cecília Rodrigues

Dando sombra e consolo aos que padecem(*)
Tendo força sem ter conta a idade
Grande Bilac e seus versos que tecem
A beleza dos anos, a felicidade;

Como as árvores que nunca esquecem
As juras de amor da mocidade
Que em noites de luar entontecem
E as velhas árvores em paridade.

Cantai poetas…com maturidade
As velhas árvores com mestria
E as senhoras pintai com vaidade;

Singrai delas toda a sabedoria
Em versos abrigando-as da maldade
Na velha árvore da poesia!

(*)14º verso do soneto Velhas Árvores_Olavo Bilac

27-O QUE É O SER HUMANO?
by Penhah Castro

O que é ser velho meu amigo?
Algo gasto e, talvez corrompido?
Algo fora de uso, talvez um pouco enferrujado
que pode no lixo ser jogado??.....

O que é um ser humano meu amigo?
É uma alma que veio num corpo se alojar...
Que como semente no útero começou...
Que demorou nove meses para o mundo conhecer...
Foi uma criança numa fase
que alegremente começou a aprender....
Foi um adolescente cheio de questionamento....
Foi um adulto que com responsabilidade viveu...
E, num dia viu-se mais velho
com um passado que o fazia sorrir....
Cercado de netos que o faziam rejuvenescer...
Carregando uma alma requintada, trabalhada, acrescentada....
Vivendo sempre sonhando com seus desejos...
Com projetos , com um trabalho produtivo,
com o ato de compartilhar....

Ser velho é estar cansado de viver!
É parar de sonhar!

Ser um ser total é no barco da vida alegre viajar
sonhar, remar sem nunca cansar,
em direção de um porto seguro para alcançar...
É ter objetivos para a vida viver....
É ser útil no dia a dia....
É exercer diariamente a sua opção
de ter saúde, muita energia e SER FELIZ!

28-Velhos Ávidos
Maurício Santanelli

Tudo bem que o tempo nos é implacável e severo
E causa em nossos corpos um belo e tremendo estrago
Mesmo assim me atrevo e com o tempo eu quero
Fazer o mesmo acordo que fez o grande Mario Lago

E nesse mar do tempo vou então velejando
Tal indolente e despreocupado marujo
Que não venha o tempo a minha idéia aporrinhando
Que em contrapartida, eu prometo que dele não fujo

Tudo bem que a nossa carcaça fique
Um tanto quanto flácida e enrugada
Importante é mantermos aquele super pique... (?)
Ei, sai pra lá você, com essa sua irônica risada...

E até me atrevo a emitir aqui um conselho...
Que pode até ser de muito boa valia...
Antes de sairmos para a balada não olhemos no espelho
E vamos curtir a vida em paz, amor e muita alegria!

29-VELHAS ÁRVORES
Lucia Amberget.

As velhas árvores na idade do condor
Reuniram-se com as novas
Para trocarem um tricô...
As mais jovens em busca da novidade
Ficaram decepcionadas...
Era tricô de verdade.

O homem não dorme mais
À sombra das velhas árvores
Os insetos as rodeiam
Em busca do seu cupim.
As feras passam de longe
Com medo de um galho cair.

Os amores tagarelas
Não conversam mais à sua sombra...
Que sombra? Só galhos secos a rugir.

Não choro pelas velhas árvores
Mas, pelas novas.
Será que vão suportar anos e anos
No tempo em que tudo é engano
As tormentas e provações que o homem
Submete a natureza?

Árvores sem aparência
Sem folhas sem beleza
Desnutrida pelo homem
Em sua natureza.

Macaé, 17 de novembro de 2007.

30-Velhas Árvores
Maria Thereza Neves

Não tão velhas ,mas sempre belas.
Braços entrelaçando eternos laços ,
Circundando amizades antigas,
Vencendo o tempo, unindo espaços.

A humanidade encostando lembranças,
Renascendo sementes,abrigando fomes.
Galhos libertos espalhando esperanças ,
Não importando cores e nomes.

Cantando sempre a vida viva ,
Sem nunca envelhecer os dias ,
Eternizando estradas sorridentes, vadias.

Com bondade acalentando o sono ,
Agasalhando os homens com ramos ,
Espantando dores,despertando sonhos.

JF/MG-19/11/07

31-Velhas árvores, velhos sonhos
Zuleika

Contemplo a velha árvore...
Troncos nodosos, raízes à mostra
feito veias varicosas, desenhadas no mármore
que a vida deixou exposta ...

Grande copa amaraleda ...
Nos galhos se escondem ninhos ,
da passarada assanhada
que delas inda extraem carinho ...

Velhas árvores, velhos sonhos ...
caminham juntos na vida
de mãos dadas a sorrir ...

Sem medo , juntos, andando.
na ladeira rumo à descida ...
Solitárias, escutam das folhas o cair...

19/11/07

32-Onde estão as suas árvores Bilac?
Virgínia Maria - Estrela Azul

Revira na tumba meu pobre poeta,
não vejo mais um verde abençoado.
São caminhos mortos e sem metas,
a vida é apenas um mito do passado.

Não vejo mais árvores velhas, eretas
e nenhum arbusto nos descampados.
O anjo da destruição lançou sua seta,
a terra segue no carro desgovernado.

Que importará velhice ou juventude?
Se a vida perdeu seu infinito bailado
no silenciar dos nossos belos canários.

Ó poeta sonhador! porque me ilude?
escuto da vida o seu choro desafinado
não há árvores, nem gente no cenário!

33- SOU RECICLADA COM MUITA HONRA
Graça da Praia dasFlechas
21/11/2007
17:55

Reciclada sou com muita honra
Procurada pelos jovens
Que não me deixam sossegada
Nem de madrugada.

Sou boazuda e gostosa
Adoro fazer amor
Os jovens me procuram
E me pedem: por favor

Velha é a vovozinha
Que ta toda desdentada
Mas pensem
Meus mocinhos
E minhas mocinhas
Que um dia serão também
Rosas Murchas e Despetaladas.

Réplica a "Velhas Ávidas"
Belquis Ivonne Barés

Dormes na tua cama já umedecida
pela falta de controle sobre teu pranto
que no teu rosto corre cheio de espanto
ao ver no teu corpo os efeitos da vida

Todas as lembranças dos anos vividos
chovem em tua cabeça. Cheio de desejo
por ter na boca a doçura de um beijo
que não consegues: te faz sentir ferido.

Mas essa dor em teu peito não autoriza,
a fincar nos demais tua falta de nobreza
burlando-te de quem cuidam sua beleza.

Banha-te em compreensão, bondade e gentilezas
até que tua alma resplandeça como estrela
então amarás... Poderás compreendê-las!

 

 

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