Agradecendo a todos os poetas participantes desta
Ciranda, onde  se expressaram divinamente,
sobre o tema proposto.

Um carinho muito especial ao querido poeta JOSÉ GERALDO MARTINEZ,
que com seu lindo poema, deu inicio a essa maravilhosa

Ciranda Sabiá.

No final da página,retirem o Selo de Participação.

Com carinho....sempre!
Tek@ Nascimento

 

 

01-José Geraldo Martinez
02-Jorge Linhaça
03-Bernardino Matos.
04-Mário Osny Rosa

05-Joyce – Lu@zul
06-Paulo Silveira de Ávila
07-Luíza Soares Benicio de Moraes
08-Maria Regina Moura Ribeiro

09-Tarcísio R. Costa
10-Regina Bertoccelli
11-Célia Jardim
12-Antonio Cícero da Silva

13-Lara
14-Ilka Bosse
Bailarina das Letras
15-Gui Oliva
16-Maria Loussa

17-Regina Coeli Rebelo Rocha
18-miriam
19-Soaroir,Maria de Campos
20-Gildete Vieira

21-Luiza Porto
22-Marise Ribeiro
23-Raquel Caminha Matos
(Lindinha)
24-Rogério Martins Simões

25-Helô Abreu
26-Carlos Magno Ferreira Campos
27-faffi / Silvia Giovatto
28-Margaret Pelicano

29-Socorrinha Castro / florzinha
30-Tere Penhabe
31-Maria Lucia Victor
32-Azevedo

33-Leda Galvão
34-Anna Peralva
35-Cecília Rodrigues
36-Clicia Pavan

37-Humberto - Poeta
38-Marisa Cajado
39-*Emiele*
40-Miriam Jucá

41-Mifori
42-Sá de Freitas
43-Lúcio Reis
44-Theca Angel

45-Sá de Freitas
46-Tobias Marques Sampaio
47-There Valio
48-Benedita Azevedo
49-Muriel Elisa Távora Niess Pokk

50-Masé Frota
51-Márcia Rosali (estrela44)
52-Guida Linhares
53-Giovânia Correia
54-Gislaine Canales

55-Odete Nazário _ EvaLuna
Portugal
56-Priscila de Loureiro Coelho
57-Vanda Dias da Cruz
58-S.Bernardelli
59-Maria Petronilho

 

 

01-S A B I Á !
José Geraldo Martinez

Não me venha, sabiá ,
com lembranças do lugar ...
Já cresci, não está vendo ?
Na sombra daquela ingá,
um dia, eu te vi morrendo!
Não me venha, sabiá ,
com lembranças do lugar ...
A estrada é de piche ,
a poeira foi acalmada .
Na sombra daquele ingá ,
a boiada descansava ...
O ribeirão canalizado !
Meu cavalo enterrado,
nas lembranças que o tempo apagou .
Fora vendido , de velho ,
coisas que meu pai não contou .
Meu cachorro foi à caça
e nunca mais retornou ...
Coisas que disse meu pai ,
na mudança que nos levou !

Partia o caminhão e sumia o cafezal ...
Longe eu ainda avistava
meu abandonado quintal !
Não queira cantar, sabiá ,
aqui no meu coração ...

Você me pega a chorar
relembrando a emoção.
O sarilho do poço ,
o boi de carro ,
o forno à lenha ,
o fogão de barro...
As coisas que me marcaram !
Os amigos dos arrebóis ...

Coisas que meu pai não contou ,
ficaram chorando por nós !
Não queira cantar ,sabiá ,
você morreu no pé de ingá ...
Canta cá dentro de mim ?
Se foi para me fazer chorar ,
já fez , pode voar ...

pássaro do meu sonhar ,
da infância que teve fim !
 

02-BEM -TE- VI
Jorge Linhaça

Ah meu amigo, eterno bem te vi
Quem te viu e quem te vê
Ainda hoje andas por aqui,
quantas saudades de você...

Nos tempos idos de outrora
ainda havia aqui um pomar,
onde no meu pé de amoras,
vinhas tu para me acordar.

O som dos carros de boi
gemendo doído na estrada
o berrante e o doce aboio
dos peões levando a boiada

Bem-te-vi, ai que saudade!
daqueles finados tempos
de minha feliz mocidade
hoje levados pelos ventos

Mas veio o tal do progresso
o asfalto cobriu a poeira
e hoje em triste regresso
Vejo ainda a lua sorrateira

Cobrindo com seu luar
o sertão tão modificado
e ouvindo ecos do passado
vem a vontade de chorar.
 

03-UM DIVINO CORAL!
Bernardino Matos.

Sempre me fascinaram os passarinhos,
eles são ao mesmo tempo fortes e frágeis,
apaixonados, sempre ficam juntinhos,
cuidam dos seus filhotes nisso são ágeis.

Sempre me ocorreu pele beleza das cores,
que fossem pinceladas de Deus, retoques,
em sua belíssima obra como as flores,
uma decoração com lindos enfoques.

De todos os pássaros o Sabiá se destaca,
por sua elegância e por seu belo canto,
uma melodia,que nossa emoção acata,
seu olhar romântico, quase um pranto.

Certa vez, num apartamento,criava,
trinta e seis pássaros,era uma sinfônica,
cada manhã eu agradecia a Deus,sonhava,
fazia uma brinde à vida,o amor era a tônica.

O Sabiá era o maestro, o Canário o violino,
o Corrupião cuidava da harmonia,o Cardeal
controlava os semitons,o Gola entoava o hino,
o Assum Preto, quando alegre,entrava no ritual.

Deus, quanta sabedoria,numa obra fenomenal,
as cores, os cantos,os trinados,a própria fragilidade,
quando na palma da mão,afastavam todo mal,
vinha aquela calmaria,soprada pela amabilidade.

Sempre enfrentei o dilema entre mantê-los engaiolados,
e deles cuidar,dando-lhes um lar,proteção,amor,carinho,
ou deixá-los ,soltos,livres,para enfrentarem desarmados,
temporais,frios,secas,intempéries,às vezes sem ninho.

Em momentos de tristeza,de apreensão,de amargura,
crio um cenário apropriado,decorado,só meu,
me sinto no meio das árvores,respiro só ternura,
encho de pássaros,ouço o Sabiá,a Patativa e o Sofreu.

Me transporto para um mundo de bondade e de paz,
"deixo a vida me levar,junto com a humanidade,
se chove,se venta,se faz frio,ou calor tanto faz,
gostaria de eternizar esse cenário,com a face da bondade.

Meu pensamento acompanha do pássaro o vôo,
fica livre, transparente,criativo,emocional,
e um hino de felicidade ao universo eu entôo,
sejamos como os pássaros,façamos da vida um coral.
 

04-UM SABIÁ
Mário Osny Rosa

Numa bela laranjeira
Canta o lindo sabiá.
Naquela manhã brejeira
Só ele sabe canta.

Do sabia laranjeira
Seu canto hipnotiza.
No pé da laranjeira
Seu ninho organiza.

E na bela primavera
Seu canto harmonizar.
É ali que ele encerra
Seus filhotes a cantar.

No embalo do verão
O vôo vai ensaiar.
Logo todo o verão
Com seu belo cantar.

05-Boêmio Sabiá
Joyce – Lu@zul

Boêmio sabiá na madrugada vem cantar
Embalando meu poema e a me acompanhar
Começa as três de mansinho o seu belo trinar
No galho da laranjeira canta... Canta sem parar

Fico lhe ouvindo... Nele busco a inspiração
Das teclas do meu "PC" brota a minha canção
Canto de amor ele entoa e de tristeza também
Enquanto eu o escuto silente e sem ninguém

O dia já vem chegando... o sol nascendo
E o canto do sabiá desaparecendo
Há gente apressada passando na rua

O sol brilhante vem ocupar o lugar da lua
No galho da laranjeira o cantor não mais está
Aguardarei a noite à volta do boêmio sabiá
 

06-SABIÁ TROVADOR
Paulo Silveira de Ávila

Planuras, uma coxilha aqui, outra acolá...
e coxilhas aqui, ali e acolá
Alturas,voragem dos itaimbés na vertigem do paredões,
morros e serras trepando vazios
Povoados ermos de gado e serra,
mar de aspas chifrando as nuvens,
oceano de cascos esmagando a terra.
Sombras que passam murmurantes,
vão revivendo os tempos muito distantes
que deixaram seus passos calcinados no chão
A quietude da soledade no sem-fim das amplidões,
são quebrados pela poesia do canto do sábia trovador,
flautim que cobre de música misteriosas sonatas,
como quem abre um cofre de lembranças
num preceito de saudade e ternura,
neste poema
de canto e luz, traçado na saudade
que eu sinto para não chorar.

 

07-UM SABIÁ NO MEU QUINTAL
Luíza Soares Benicio de Moraes

Esta semana,estava eu a varrer o meu quintal.
quando ouvi um canto lindo e bem diferente
Das outras aves que por aqui gorjeiam!
É muito comum ver “rolinhas”,
Bem-te-vis, sanhaçus,beija-flores,
E até jandaias!

É muito triste,porém a presença do gavião.
Que estou citando em separado
Porque o odeio!
Já o vi várias vezes comendo vivos os outros passarinhos!
E até lembrei agora de um dia,que vi um pequenino beija-flor,
Voando atrás de um deles
E, por incrível que pareça,
Fe-lo sair fugindo!

As muitas árvores frutíferas do meu e dos quintais da vizinhança,
Ajudam assim a embelezar
O nosso bairro
E porque não dizer, a nossa Cidade!
O Recife é muito arborizado
E conta com muitas espécies de pássaros!
Além da invasão de pardais!

08-Sabiá, meu sabiá...
Maria Regina Moura Ribeiro

Sabiá, meu sabiá,
há muitos anos de ti não costumava lembrar.
José Geraldo, Bernardino e Jorge
são os culpados desta lembrança evocar.
Não deviam tão lindos poemas escrever
para minha alma chorar e a memória voltar.

Eu invejava a tua liberdade da janela
do meu quarto aos 10 anos a sonhar.
Eu te via voar e não podia sair.
Eu te via cantar e não podia falar.

Mas hoje posso tudo fazer, querido sabiá.
O amor que une minha família é o da liberdade.
E, agora, com 62 anos, posso tudo alcançar.
Podes vir na minha janela cantar
e minha alma alegrar.

09-Voa Sabiá
Tarcísio R. Costa

Ó querido sabiá, tens o canto
dos amores distantes
que dá dor,
toca o coração dos amantes...

Teu canto tem cor,
tem, também, emoção,
ele tem o eco da saudade.

Teu cantar reflete no meu coração,
tu me lembras do meu amor
que está longe... nos sonhos
da brisa do entardecer...

Cantas sempre
nas seis horas
da Ave Maria.
ó sabiá melancólico,
abandona essa nostalgia...

Vai às escarpas
dos desfiladeiros e faz o teu ninho,
manda de lá o teu cantar
nas plumas suaves da brisa.
Mas, antes passa no meu amor
e deixa lá o meu carinho
e a minha saudade.

10-VEM, TE QUERO SABIÁ
Regina Bertoccelli

Quero teu vôo na minha janela,
o teu canto ao amanhecer,
no meu jardim a enfeitar
Tua presença alegra os meus dias,
quando chegas junto com o sol
Teu canto irradia uma paz
que aquieta meu coração
Vem, doce pássaro, aqui te espero
todos os dias, sempre em um novo porvir

Majestosa natureza que me presenteia
com o teu canto, com a tua dança,
quando batendo tuas asas se despede
de mim...
Vem, meu doce sabiá,
alimentar a minh'alma com teus sons
maviosos e encantar meu coração

11-CANTO DO SABIÁ
Célia Jardim

Lá na terra onde nasci
quanta saudade deixei
coisas simples que vivi
que nunca esquecerei
Até o doce canto
do pequeno sabiá
ficou perdido no tempo
desde que parti de lá
Hoje ruídos de motores
despertam-me do sono
sem saber das minhas dores
que descansam neste abandono
Se eu soubesse que um dia
não mais ouviria a sua melodia
teria gravado seu canto
para acalentar hoje o meu pranto
Aquele canto me alegrava
meu coração acalmava
e feliz eu sonhava
que só para mim ele cantava
Hoje tudo é saudade
quando busco um pouco de paz
no agito da cidade
que falta o seu canto me faz

12-O SABIÁ E A PALMEIRA
Antonio Cícero da Silva

Na palmeira do meu quintal
Cantava alegremente o sabiá
Que com som mestral
Vinha a todos alegrar.

O sabiá cantava muito lindo
Que chamava a atenção
E sempre foi bem vindo
Aquele cantor causava emoção.

A palmeira até dançava
Com o vento a passar
E no local o sabiá alegrava
O povo ficava a ouvir e olhar.

Parecia até mágica
Enquanto a palmeira dançava
O sabiá alegremente cantava
E a natureza contente estava.

O sabiá e a palmeira
Viviam em hatmonia
E na natureza
Viviam em grandezas.

13-Meu perdido sabiá
Lara

Não sei mais onde está...
Em minha janela
não veio mais piar,
o meu querido sabiá!

Todas as manhãs
me fazia acordar,
era a mais fiel sentinela
de um amor que,
para sempre, ia durar...

Hoje, não há beleza;
O dia amanhece e anoitece
e, o que canta mais forte,
é a minha tristeza;

O amor ficou fraco de morte
eu, nem feliz mais sou...
o canto, não mais me aquece,
pra longe meu sabiá voou...

14-CANTE COMIGO SABIÁ!
Ilka Bosse
Bailarina das Letras

Hoje eu quero cantar
Jogar minha voz ao ar
Levar o sussurro ao seu ouvido
Fazer a vida ter mais sentido

Cante comigo sabiá!

Hoje eu quero cantar
Balbuciar embriagada, o verbo amar
Melodias das mais diversas
Versos com letras dispersas

Cante comigo sabiá!

Hoje eu quero cantar
Sincronicamente saltitar, dançar
Sem sapatos...
Os pés deslizando pelo chão
Erguer voz, pernas, braços e mão.

Cante comigo sabiá!

Hoje eu quero cantar
As coisas mais belas da vida
Com encanto, o canto de tudo
Soltar meus gritos, até o grito mudo.

Cante comigo sabiá!

Hoje eu quero cantar
Serenado fogo ardente, beijar
Meu cabelo voando solto
Pelo vento despenteado
Bailando ao encontro
Do anoitecer estrelado.

Cante comigo sabiá!

Hoje eu quero cantar
Cantar meu vício ao mundo inteiro
Ver a felicidade...
Até no semblante do faxineiro
Cantar com sons estridentes
Deixar as pessoas contentes
Ver cada olho brilhante

A tristeza?
Que fique distante!

CANTE COMIGO SABIÁ!

15-CANTO CONHECIDO
Gui Oliva

Eu não sabia que doía tanto essa saudade
de te ver e te escutar amoroso a me dizer,
que embora nosso amor surgido muito tarde
era possível... dependia só de nós o amor viver

Eu só sabia que batia contente e acelerado
meu coração que não sabia, que ainda podia
pulsar desse jeito tão feliz, mas tão desajeitado,
pois batia e batia e só por esse amor ele vivia

mas de repente então, de supetão chegou o dia
em que o coração ouviu a dolorida melodia
através do trinado daquele que sabia,
cantar dando o recado que queria dar de lá,

e do alto do arvoredo que existia ao seu lado
meu coração ouviu sentindo a dor do amor já acabado,
pois tentando entender o que dizia o canto,
acentuou o que já sabia...pois quem cantava? um sabiá!

16-O Romântico Sabiá
Maria Loussa

Ave histórica e poética
Desde que Gonçalves Dias
Envolvido na melancolia
Inspirado escrevera
A linda Canção do Exílio
Falando de seu canto
Em nossas frondosas palmeiras!

Tal era a saudade do poeta
De sua Terra Natal
De tudo que aqui havia
Trazia-lhe nostalgia
Mas sua ênfase primeira
Eram as palmeiras de cá
Onde cantava o sabiá.

O sabiá é ave de destaque e nobreza
É um símbolo brasileiro
Já foi considerado estrela pela sua beleza
Também majestade
Pelo seu canto garboso
De rica sonoridade.

17-Canta, sabiá!
Regina Coeli Rebelo Rocha (RJ)

Sabiá do canto triste
Meu coração te ouve e chora
Verto lágrimas no agora
Porque a dor no peito insiste...

Sabiá da laranjeira
Canta o teu canto tristonho
Carrega contigo o meu sonho
De um dia ser a primeira...

Voa com este sonho, sabiá
Areja-o na brisa benfazeja
E por mais sofrido que ele seja
Não o deixes nunca por lá....

Sabiá do canto triste
Traze de volta o sonho pra eu sonhar
Canta para o pranto eu desabafar
Que um dia essa tristeza não resiste...

Meu amigo sabiá
Em coro vamos tu e eu cantar
E as dores do peito vão-se apequenar
Porque mal que sempre dure... não há...

18-A un pájaro
miriam

De tanto soñar con ese pájaro
distante
pleno como una salar crujiente,
se me agotaron los dedos
de pronunciarlo en tinta
de pedirlo
A los aleteos de sus viajes largos
de gorgearlo
a la tierra autárquica, suya.
De tentarlo con semillas livianas como besos,
de tanto soñar con ese pájaro
que digo
mis ojos ya no saben de otra ruta
que la de su red titánica
mis manos no pueden remontarse
en ademanes largos
y mi talla se esfuma austral en su avidez.
Es que acaso
vivo en desconcierto
ando y desando al borde de un abismo
porque ya no sé
si vi al pájaro
lo planee de oídas
o es la fundación de un sueño

19-COISAS DE COTOVIA
Soaroir,Maria de Campos

Eu, Cotovia
Outro dia ouvi dizer que Deus perdoa mais
àqueles que amam demais, e que são palavras de Jesus.
Não há como duvidar, já que foi Ele
quem também disse amai-vos uns aos outros.
No entanto, para esta receita Ele não disse o que fazer
com o que vai sendo desconsiderado, já que em toda essa massa
os ingredientes levedam juntos, mas
nem sempre crescem do mesmo modo.
Eu pergunto, mas é silêncio até do vento.
Do relógio que já não faz mais tic-tac.
Só os periquitos ao longe dão sinal de existência,
porém não respondem:
- Não tem mais caniço ou samburá; pescas de juquiá,
sardinhas soltas no mar; ou girinos no riacho;
nem mais pés de cambucá.
Não há mais pisar descalço na areia
nem outros com quem, sem medo, arrulhar.
Ao longe canta ininterruptamente um canário de sua gaiola.
Cantaria ele de tristeza pela prisão ou em busca de companhia?
Ou é só por coragem de sentir dor? Por não mais poder voar?
Não entendo de coisas de canários, somos
passarinhos diferentes, mas quisera poder interpretar!
Eu, cotovia fujona, desviada e debandada, sou agora livre retirante.
Poderia voar se quisesse, mas não sei /por/ para aonde ir.
Acostumei me a não depender do sol
para acordar ou da noite para me recolher,
nem da chuva sei mais como me proteger.
Com as garras já carcomidas não posso mais nidificar
e minha bela plumagem, outrora brilhante,
necessária para me acasalar, há muito se desbotou.
Nem mesmo a minha melodia eu sei mais como entoar!
Sou mais uma cotovia que desaprendeu se sustentar.
Ha! Vejo ainda alguns sabiás que, não estando,
sendo mais do cerrado,
ciscam procurando o que podem achar,
beliscando nos capins que transportaram pra cá.
Mas, outro dia soube, ouvi que um partiu molestado:
aspirou mais do que podia do que achou enterrado,
e lhe consumindo o sistema, ele agonizou envenenado.
Mas eu? Cotovia? Ah! Se eu desse vazão ao instinto...
Arribaria ao amanhecer já que não estou mais engaiolada.
Mas, desaprendi de amar, e não posso mais avoar...
Deus, Vós podeis, poderias? A este(a) também perdoar?
Coisas de cotovias...

20-Sabiá
Gildete Vieira

Morando na cidade grande
Ninguém vai acreditar
Acordo bem cedinho
Ouvindo pássaros cantar.

São melodias, gorjeios
Para todo o lado.
Lembro logo da infância
Lá no meu sertão.

Abro a janela com cuidado
Para apreciar o sabiá
Cantando de galho em galho
Feliz com o seu som a encantar

Nas folhagens, flores sem cessar.
Isso deixa-me sonhar...
Chega a inspiração na hora
Ouvindo o canto do sabiá.

21-SABIÁ, MEU CANTOR
Luiza Porto

Seu canto um hino
de manhã a me acordar
ficas na laranjeira
onde seu ninho está.

Seu canto forte e vigoroso
porque tem bem juntinho
sua amada a te acompanhar.

Quando abro a janela
como se fosse um bom dia
me brindas com seu canto
para que nunca esqueças
de ti.

Retribuo seu carinho
com frutas no parapeito
para que nunca viajes para longe
meu sabiá, meu cantor

22-Aconchego de Um Sabiá
Marise Ribeiro

Eu quero cantar e preencher tua morada,
Com o meu gorjeio te adoçar a vida,
Dar-te esperanças quando raiar a alvorada
E a sombreada laranjeira servir-me de acolhida.

Brejeiro fico, se o meu sonoro canto
Estiver te servindo como lenimento,
Não te quero em dores nem em pranto,
Desejo alegrar em sons o teu momento.

Se tu me aprisionares, não ficarei triste,
Nem deixarei de te presentear com trinados,
Nas matas já não há frutas, insetos nem alpiste,
Mais belo eu canto, se estiver alimentado.

Saciarei o teu silêncio infindo,
Por não teres com quem conversar...
O som da tua voz será pra mim bem-vindo,
Depois que o meu cantar te despertar.

Sempre serei o teu sabiá, teu companheiro,
Aquele pra quem chorarás a tua dor...
E até meu último canto... o derradeiro,
Em vez de nostalgia, escutarás o amor.

23-EU E O SABIÁ
Raquel Caminha Matos
(Lindinha)

"Ai quem me dera sabiá"!

Voltar aos tempo de criança,
imaginando asas pra voar,
ouvir teu canto na minha andança
que hoje está sufocado pelo pesado ar.

"Ai quem me dera sabiá"!

Chegar a minha janela no raiar do dia,
"ao som da melodia" que você entoava
todos os dias pra me acordar, fazendo folia
com seus vôos rasantes em minha janela sobrevoava

"Ai quem me dera sabiá"!

Não sou contra a modernidade e o progresso,
mas os dois me deixou triste e me desencantou
sinto saudades, mas hoje não posso dá o retrocesso
só para ouvir a canção de amor,que para mim você cantou.

"Ai quem me dera sabiá"!

Pudesse tirar essa "tristeza do meu peito"
Eu só queria esquecer, para aceitar a viver,
sem te ouvir cantar todas as manhãs, mas não tem jeito.
Fecho os olhos, tento esquecer a dor, para não mais sofrer.

"Ai quem me dera sabiá"!

Poder viver na natureza, decifrar o teu cantar,
aprender contigo a voar nas alturas,
e lá do alto, encantada essa beleza admirar,
e juntos na "mesma melodia",me tirar dessa agrura.

Hum...

"Ai quem me dera sabiá"!

24-Não chores por mim, não chores, sabiá…
Rogério Martins Simões-Lisboa

Debaixo do sabiá está um homem a descansar
Dorme, dorme, cortador que sabiá não é pinho…
-Dorme, trabalhador que sabiá te vai abrigar!
-Sabiá onde estás? Oh meu lindo passarinho?

-Toma cuidado oh sabiá não o deixes acordar
Num galho de um sabiá, o sabiá faz o ninho
Vai-te embora oh caçador que sabiá quer pular,
Do cimo do sabiá, para a mata de rosmaninho

Uniram-se os sabiá e o homem ficou ao sol…
Debaixo do sabiá está agora um guarda-sol
Volta sabiá! Canta sabiá que alegria já não há

Eu vi um sabiá com uma semente no bico
Deitou-a a meus pés, eu com ela não fico
Volta a dar sombra sabiá! Vem cantar sabiá!

25-DOCE SABIÁ
Helô Abreu

Oh! Sabiá …, doce Sabiá
Quem te ouve só…,
encanta-se com o teu cantar
Vês a lua a morrer e a nascer o sol
Cantas palavras doces, vês lá longe o mar…

Mas a ouvir-te, alguém sentiu o teu chorar
Por um dia perdido,numa noite de Verão
E ouvindo ficou cego,quem estava a olhar
Para ti doce Sabiá a chorar,
Será que choras por uma ilusão?

Voando livre e só, por um qualquer céu
Aquele Sabiá doce, nas asas leva a palavra
De um poeta que soletra, aquilo que não era teu
De um camponês que rasga, a terra que lavra

Voando desorientada, ave sem destino
Voa sem saber sequer,se algo a domina
Talvez teu canto de vida não seja um destino
Talvez na vida…,um dia a morte seja minha

Oh, doce Sabiá, quem és tu, aqui e agora !?!
Porquê ser tudo e nada ao mesmo tempo…!?!
Por quem estás a cantar, doce Sabiá que chora…!?!
Para onde estão a levar, as tuas asas, o vento…!?!

26-SABIA... SÁBIA... SABIÁ!!!!?
Carlos Magno Ferreira Campos.

SABIA que amo a ti!?
Em cada pequeno gesto,
Na melodia que se espalha pelo ar,
Na plumagem que cobre teu corpo,
Na liberdade da tua voz
Por estes “Brasis” a ecoar!!!
Amo-te na tua simplicidade,
Na tua originalidade
És um lindo exemplar
No teu canto existe uma cadencia
Ouvi-lo!!!
Transporta-nos a um estado de Graça
Se for um lamento ou coerência
Não importa... Tens a rima e o compasso,
Dos que sabem versejar!!
Quisera ser SÁBIA o suficiente
Para retratar com eloqüência
Uma oração para a ti homenagear
E falar dos teus valores
Em canto e encanto
Retratados em cores... Em clamores!!!
Já que fazes parte da Saga de um País
Entre um Hino
Um Brasão
Um Selo
Uma Bandeira
Então... Erga teu porta-bandeira
E samba na imensidão desta terra NATAL
Eleva teu canto de liberdade
Sempre que tenta a ti cativar,
Quisera também ter asas e como tu poder voar...
Viajar por sobre os lagos,
Os oceanos,
Os mares, o leito dos rios,
E no aconchego dos braços de quem amamos poder ficar
Construir nosso ninho de amor,
Entre a primavera, os frutos, as flores,
O calor do verão que aquece nossos corações
E vamos alimentando com estas sementes nossas almas
Em cores fortes das paixões
E vamos “Engolindo” até mesmo os “vermes”
Lutando contra as impostas desilusões
Dos que não entende o direito de AMAR
De ser livre e poder voar!!!!
E se expressar!!! E gritar!!!
Voar para o alto de uma palmeira
E cantar... E cantar!!!
E se emigrares para outros pontos eqüidistantes
Em busca de calor,
Até mesmo de calor humano
Nunca te esqueças de retornar!!!
Não te deixes aprisionar!!!
Embora, seja lindo o teu cantar,
Quando por liberdade estás a clamar!!!
Canta!!! Canta!!! Canta!!!
SABIÁ!!!

27-Sabiá
faffi / Silvia Giovatto

Ai, quem me dera sabiá!
Ser como você
Sair voando procurando um lugar seguro
onde eu possa amar.
Ah, sabiá...você nasceu livre e leve,
acho que é essa leveza e essa liberdade que te fazem cantar
Queria ser livre como você...e
também ter asas para voar...
Me empreste o seu canto, as suas asas,
me empurre para as montanhas
quero chegar pertinho do céu
e desse sol escaldante...
Quero como você, ver o mundo aos meu pés.
Quero ser feliz...e poder cantar a minha liberdade
Quero ser como você sabiá, um pequeno pássaro,
gigante na arte de levar a felicidade pra todo lugar...
Ai, quem me dera Sabiá!
poder fazer alguém feliz, por onde eu passar.

28-Sabiá
Margaret Pelicano

Sabia você que o sabiá
é ave boa demais, nem dá pra contar,
encanta todos com seu canto
mal consigo explicar

Encontra-se espalhado
pela América e Europa:
Sabiá-Laranjeira, Sabiá-Branco,
Sabiá-da-Mata, Sabiá-do-Campo

Canta para demarcar território
e atrair as fêmeas ao seu lugar
é protegido pelo Ibama
se o caçarem, é crime, levam 'cana'!

É um animalzinho sensível
e símbolo brasileiro,
cantores imitam seu trinado;
é um termômetro ambiental,

se numa floresta tem pouco sabiá
algo está muito errado:
danos na fauna e flora?
O comportamento humano deve ser trocado!

E o que falar do amor?
Nada melhor que namorar
ouvindo o canto do sabiá!
Sendo assim...vamos preservar!

29-MEU SABIÁ
Socorrinha Castro / florzinha

A cada raiar do dia,
pousava na minha janela
com um canto cheio de alegria,
um sabiá de plumagem amarela.

O seu canto era tão belo
mais parecia uma oração,
e o seu cantar tão singelo
enchia de paz o meu coração.

Mas, um dia ao despertar,
o meu coração chorou
por não mais ouvir o cantar,
do sabiá que o meu amor conquistou.

E, ao chegar à janela
com minh'alma a chorar,
vi que murchou a roseira amarela
onde meu sabiá costumava pousar !

30-Sabiá!
Tere Penhabe

Ah sabiá, que saudade!
Minhas tardes são vazias
sem você a fazer alarde
trepidando entre as folhas
do meu pé de manacá
se pudesse eu voltava
só pra te ver, sabiá!

Os seus olhinhos tão vivos
nunca mais os presenciei
sua canção ficou perdida
na terra que não voltei
mas embala o coração
dia e noite, noite e dia
sei que não é ilusão.

Naquele tempo tão triste
de tanta dor que eu vivi
só você ficou comigo
amores eu vi partir
foi a sua fidelidade
somente a sua presença
fez minha felicidade.

Por isso meu sabiá
não me esquecerei jamais
por mais que longe eu viaje
rasgando estradas ao léu
estará sempre comigo
cantando uma serenata
iluminando o meu céu.

31-BEM-TE-VI
Maria Lucia Victor

Aqui, um bem-te-vi,
alegria em forma de canto
tenta compor o encanto
de espantar solidão.

Na superfície da vida
apenas rotina calma
não traduz cantos de alma,
tristes lamentações,
pranto no dia perdido
pelo amor só consentido
em sonhadas ilusões.

Canta aqui o bem-te-vi
enquanto choro calada
na paisagem azulada
a dolorosa saudade
daquilo que nunca vi

32-MUDO SABIÁ.
Azevedo

Sabiá, pássaro danado p’ra cantar
Sabiá, sabia do meu escutar?
Ouvia-lhe nas manhãs das primaveras
Todas as tardes de mormaços
Como a adivinhar a chuva prestes
E, você em seu constante trinar:
Piu, tiu, tiiu, piiu no galho da laranjeira.
Seduzia-me todo o meu Ser.

Admirador, sempre fui seu
Lá na roça da Fazenda Capoeira
Na fantasia imitando em assovio
Seus gorjeios alegres como eu.
Naquele ano e próximo setembro.
Coisas de jovem ainda me lembro
Manhã e tarde não o escutei
Oculto entre as folhas, não o encontrei

Ah!, se os homens imaginassem
Quanto vale e merece a liberdade
Como é gostoso ouvir o gorjear
Na alvorada piu, tiu, tiiuu, piiuu
De você, incomparável sabiá
Não furtavam a alegre melodia
Destinada para sua companheira
No alto galho da laranjeira

Cantava somente p’ra sua amada,
Eu furtava apenas o seu cantar.
Mas, deixaram seu bico fechado
Na gaiola, triste emudecido.
Em meu peito também sumiu
Seu trinar para todo o sempre
Do tempo saudoso do campo
Também o admirador morreu.

33-PERDÃO, LING-LING!
Leda Galvão

O viveiro era espaçoso,
cheinho de lindos canários
que cantavam bem cedinho.
Eram despertadores alados
que, com seus alegres trinados,
me deixavam alegre e feliz.
Era um trabalho insano
trocar água, pôr alpiste, limpar tudo,
mas como eu ficava alegre
quando havia ovos no ninho,
e punha a fêmea prá chocar.
Gostava de ver o macho
- diferente dos humanos -
delicado, saltitante,
levar mais palha pro ninho
e a canarinha alimentar.
Então um dia surgiu
o sabiá Ling-Ling
que passei a amar de paixão.
Seu canto era sonoro e belo
chegando a "pôr no chinelo"
o cantar dos canarinhos.
E um dia saí em viagem
e não querendo deixar
meu amado Ling-Ling,
levei-o numa gaiola.
Mas... ele se sentiu só
longe de seus amiguinhos
e parou então de cantar.
Não agüentando a saudade,
morreu quietinho de noite,
numa noite de luar.
Voltando então para casa,
percebendo que a solidão
é o maior mal que existe,
soltei os meus canarinhos
deixei-os voar livremente
pedindo ao sabiá Ling-Ling
o meu tardio perdão.

34-Sabiá
Anna Peralva

No meu pé de manacá
Entre flores delicadas,
Um solitário sabiá
Entoa sua melodia afinada.

Você que voeja pelo mundo
Como eterno cantador,
Fica mais um segundo
E alivia minha dor.

O meu peito feito ao meio
Ilude-se com seu canto,
Vestindo seu lindo gorjeio
Para despir o desencanto.

Seu som retoca o tom da vida
Onde a saudade macula a beleza,
A alma anda só e perdida
Nas grades da tristeza.

A matéria perdeu a juventude
Quando o amor silenciou,
O tempo em toda sua amplitude
A sentença final decretou:


Sonhos desfolhados ao vento
Nos versos sempre dispersos,
A nostalgia do lamento
Num espelho sem reflexo.


Meu olhar sempre distante
Suspenso numa estação passada,
Espreitando na linha do horizonte
A felicidade tão almejada.

Quem me dera meu sabiá,
Poder desprender-me deste frio chão,
Embrenhar-me em sua canção
E ter asas para bem longe voar!

35-Canto do Sabiá
Cecília Rodrigues

Para te cantar é preciso
te interiorizar sabiá...
Quem te conhece á distância
Sente uma vaga ânsia...
De poder te acariciar .
Tu que és sinfonia
Numa longa melodia
Todos ouvem teu cantar!
Em teu território és Glorioso
sobrevoas ...és feliz!...
Enquanto esperas teu petiz
E no teu canto mavioso...
Enebrias quem assim diz:

-----"Minha terra tem palmeiras(*)
Onde canta o sabiá...
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá "-----

Feliz quem ouve teu trinar
Lá no cimo da laranjeira
Ou no alto da capoeira
É lá que vai querer ficar!
Só para te ouvir Sabiá...
Por toda a vida nos laranjais
Sonhar contigo nos quintais
Coisas que aqui não há!

Sabiá ...tu és cantor
Pinto-te no meu olhar
Ouço-te no meu sonhar!
Escolho a mais bela cor
Para te poder pintar!
Dedico-te com muito amor
Este poema em flor
Num coração de saudade
Nesta grande veleidade
De um dia ouvir teu gorjear !

36-Sabiá
Clicia Pavan

Ah! Sabiá
Sou alma peregrina
Na terra dos sonhos
Procurando meus sonhos achar
Ou no horizonte infinito
Um arco íris colorido de felicidades
Encontrar....
Sou a que sonha, ser tua amada
E nos teus braços, encontrar a paz...
Voa sabiá, voa,vem
Tirar essa tristeza do meu olhar...

37-Sabiá
Humberto - Poeta

Quando foste àquela casa,
ao sabor de cada asa,
que é que foi que viste lá?
Viste alguém de lindo rosto,
que se traja com bom gosto,
não foi mesmo, sabiá?

Pousaste na laranjeira
que se ergue bem fronteira
com seu quarto de dormir?
Que tem ela mais que as outras,
que vês nela mais que noutras
no teu eterno ir-e-vir?

Desconfio, meu sabiá,
que o que te leva até lá
é algum secreto pendor...
És ali o seu menestrel
pois talvez busques o mel
que existe em tão linda flor!

Não te aproximes mais dela,
nem vás mais à sua janela
se queres conselhos sábios.
Desfaz os teus sonhos, pois
alguém já privou nós dois
da corola dos seus lábios!

38-SABIÁ
Marisa Cajado

O teu canto mais parece
Melodia de uma prece
De uma pauta, universal.
Traz energia que aquece,
Neste tom que não se esquece,
Na afinação natural.

Traz-me a lembrança da infância
Da alma, em consonância.
Com a pureza celestial.
Sem as agruras de agora,
Nem a violência que hora
É pauta, da notícia mundial.

Ah! sabiá traz de novo
Com teu canto, ao nosso povo.
A harmonia da simplicidade.
No teu trinado bonito
Mostra o som do infinito
E a orquestra da liberdade.

O talento se expressando,
A alma se comunicando,
Em ritmo natural.
A paz, contigo cantando
Sem crianças guerreando,
Em desespero infernal.

Ah! sabiá do meu tempo
Sem desgosto ou contratempo.
Que cantava na mangueira.
Conta, em teu canto centrado
Que foi por Deus afinado.
Que a vida na Terra , é passageira!

39-Cúmplice Visitante
*Emiele*

Ah, majestoso sabiá!
Seu canto hoje novamente ouvi
e me fez recordar daquele lugar
onde todo me visitava...
Ora nas madrugadas frias...
Ora antes do sol se por...
Alegrando o findar de cada dia.

Por quantas vezes corri para fotografá-lo?
Era tão lindo no seu peito amarelo...
Queria guardá-lo na lembrança, assim tão belo,
mas batia asas e voava pra outro quintal,
onde alguém, solitário também na sua desdita
já esperava ansioso por sua visita.

... E quando novamente clareava o dia
entoava seu canto no mesmo arvoredo
onde meus ouvidos ficavam atentos pra ouvir...
Contentava-me assim com sua presença,
tão mágica e livre no seu existir.
E a cismar, contava-lhe meus segredos...
Ah, você testemunhou, meu pássaro cantor,
meus amanheceres tristes e meus medos...
Minha angústia e prisioneira dor.

40-SABIÁ
Miriam Jucá

Olhando pela janela vi um lindo sabiá
Em meu pé de manacá.
Sem se espantar, começou a cantar
Ah!! Sabiá!!Que triste é teu cantar...
Quem te fez tão triste assim...
Foi uma sabiá dengosa que
te deixou sem te amar?
Vai Sabiá, canta tua tristeza
E canta minha saudade de
um amor que já não há!

41-MEU QUERIDO SABIÁ
Mifori

Já não ouço mais
O meu querido sabiá...

Na minha janela pousava
Com sua doce melodia
Cantava e encantava,
Trazendo alegria
Em qualquer estação
Durante todo dia!...

Já não ouço mais
O meu querido sabiá...

O homem destruiu
A bela natureza!
E a selva de pedra surgiu.
Com ela a tristeza,
A dor no peito emergiu...
Não tem jeito... Sofre coração!

Ó querido sabiá!...
Vem com seu canto mostrar
Que a alegria de viver
Vai amenizar a minha dor
Pra eu não morrer,
De tristeza e desamor!


42-MEU AMIGO SABIÁ
Sá de Freitas

Quando eu morava num ranchinho
Pequenino,
Coberto de sapê...À beira-chão,
De manhãzinha um sabiá na laranjeira,
Com o seu cantar brejeiro
Me alegrava o coração.
Mas certo dia eu lhe cantei um verso triste,
E ele nunca mais voltou cantar pra mim,
Porque no choro da viola que eu tocava,
Numa voz que soluçava,
Eu disse à ele bem assim:
"Oi sabiá, meu grande amigo sabiá,
Vou deixar o meu ranchinho,
Para nunca mais voltar...
Vou me esquecer para sempre do seu canto,
E buscar um novo encanto,
Que o sertão não pode dar."

Hoje perdido entre os ruídos da cidade,
Sinto vontade de voltar para o sertão,
Lá eu não via nenhum crime, nem maldade
E tão pouco a falsidade,
Que maltrata o coração.
Mas aí meu Deus,
Este sertão já não existe,
Nem meu amigo sabiá para cantar,
E quando penso em tudo isso fico triste,
E termino essa poesia com vontade de chorar.

Oi sabiá, meu amigo sabiá,
A saudade é tão doida e não há jeito de voltar...
Mesmo pensando que talvez tenha morrido,
Vai ecoar por toda vida,
Em meu ouvido o seu cantar.

43-Sabiá
Lúcio Reis

Que bom poder voltar
Ao tempo de criança
Podendo recordar
A simples e pura canção
Da liberdade a cantar
Quando no verso dizia:
Sabiá lá na gaiola
Fez um buraquinho
Voou, voou, voou!
E ao ver cada ano passar
O dia a dia a se transformar
A selva no chão a ser jogada
E suas galhas no solo a secar
A sua rama ao sabiá ser negada
E assim a natureza ficar
Sem os gorjeios e, então calar
Do bela ave som e o vôo parar
E sobre todos a tristeza destroçar
E importante lembrar
Que elas vem nos sinalizando
A todos nós com seu canto falando
Para cuidarmos da floresta
Se não o sabiá não virá fazer a festa
Pois sua orquestra palco não terá
Para todos se apresentar.

44-Sabiá
Theca Angel

Onde estavas, sabiá,
quando no silêncio de meu pranto
chamei por teu trinado encanto
como um bálsamo ao meu ferido peito...
Onde estavas meu amigo
que horas tantas compartilhamos
e neste instante de dor profunda
te afastaste de mim
e de meu desencanto...
De que me vale a vida sem ele,
o grande amor que tarde veio
e encheu meu peito árido,
da brisa que embebeda os campos!
O conheces com tantos detalhes...
De que os meus sonhos me valem
Se não o posso ter comigo!
Meus sabiá pequenino,
quanto nos entendemos...
em nossos mornos entardeceres...
nas lindas manhãs sonolentas...
Nos silêncios de meus anseios,
nas alegrias de meus risos e cantares!
Olhando os céus, te esperava .
Lembro bem onde ficavas
entre os arbustos respondendo,
com teu canto trazido pelo vento!
Chamavas por mim e eu entendia...
me dizias: "viva o teu dia",
deixe para mais tarde o pranto...
Faz teu ninho, espera o tempo!
Volta amigo, vês, eu te espero.
Trás contigo não só as lembranças
mas a pessoa que mais quero...
Com ele está o sopro da brisa
a sonoridade querida de suas cantigas,
A voz que sussurrava pelas campinas
e fazendo coro o deslizar dos riachos
tornava-se, deles, seu eco!
Onde está meu sabiá?
Que a beleza, o riso , a dor
comigo manso dividias
Trás de volta a alegria
Trás de volta o meu amor!

45-SERESTEIRO SABIÁ
Sá de Freitas

Quando, de trás da serra, o sol me espia,
Trazendo mornos seus primeiros beijos...
Do sabiá vou escutando arpejos,
Que compõem a mais linda melodia.

Há um certo mistério no seu canto,
Cheio de encanto e de simplicidade,
Que me faz, cá distante da cidade,
Não ver na vida qualquer desencanto.

Quando ele chega saltitante e canta,
A minha alma quase não resiste,
E todo o meu viver, no amor, se encanta.

Cante seu canto sabiá enquanto,
Eu sinto que já não me sinto triste,
Porque seu canto me sufoca o pranto.

46-Sabiá do Meu Pomar
TOBIAS Marques Sampaio.

Sabia Sabiá que eu também sei cantar?
Canto pra te ouvir
E pra te ver assobiar
No galho da laranjeira
Nos fundos do meu pomar.

Canta, canta Sabiá
Como tu eu não sei cantar
Sei te ver batendo asas
De galho em galho a voar.

Canta pra mim Sabiá
Para o meu amor
E pra sinhá
Que na cama ainda dormem
Só esperando o teu cantar.

Por isto canta Sabiá
A melodia de além mar
A doçura de tua existência
É o teu belo cantar.

Canta, canta, canta, canta..........
Sabiááááááááááááááááá.........

47-SAUDOSO SABIÁ
There Valio


Lembranças da minha infância,
Alegram o meu viver,
Lembranças do sabiá
Que de manhã bem cedinho,
Acordava-me com seu canto,
Empoleirado no galho da árvore,
Pertinho da minha janela.

A alegria que eu sentia,
De ouvir o seu cantar,
Até hoje a lembrança
Do canto do sabiá,
Reconforta a minha alma
Das saudades que eu tenho,
Da minha casa paterna,
Onde meus pais e os irmãos,
Reunidos lá na varanda,
Num fim de tarde tranqüilo,
Onde o canto do sabiá, era a música preferida,
Nas tardes daqueles saudosos dias!

48-O sabiá me acompanha
Benedita Azevedo

Sabiá da minha terra
Canta feliz sem parar
Na planície ou na serra
Sempre te ouvi a cantar.

Hoje nas minhas andanças
Em São Paulo ou Florianópolis
Não estás só na lembrança
Vejo-te em quaisquer metrópoles.

Em São Paulo, que surpresa!
Às cinco horas da matina
Ressoa aquela beleza
Tirando-me da rotina

Um canto melodioso
Enche a casa de alegria
E o meu olhar curioso
Vaga pela moradia.

Abro a janela e te vejo
Cantando junto ao teu ninho
Despertando meu desejo
De te fazer um carinho.

Devagar fecho a janela
Quero te ouvir a cantar
Lembrando que sabiá
Encontro em todo lugar.

Lagoa da Conceição
Com surpresa fui levada
E foi grande a emoção
Ao ninho da passarada.

Três sabiás em penugem
Um com o bico aberto
Num galho o pai e a mãe surgem
Cantando ali bem por perto.

Saímos devagarzinho
E os dois logo ali posaram
Chilreando com carinho
Sua prole alimentaram.

49-SABIÁ
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

Vários sabiás vêm ao meu jardim,
Com apenas um, fiz amizade.
Chega junto a mim,
Voando, com tranqüilidade.

Ele vem comer em minha mão.
Começamos a conversar,
Digo-lhe da minha solidão,
E ele, do prazer em voar.

Depois de ter se alimentado,
Entrar no quarto, não hesita,
Por toda casa vai voando.
É assim que me visita.

Ontem esperei por ele,
Mas, ele não apareceu.
Pensei: O que foi feito dele?
O que será que lhe aconteceu?

Hoje, saudosa, abri minha janela.
Junto à outra ave o vi cantar.
Para mim voou, junto com ela,
Sua noiva veio me apresentar.

50-SUA MAJESTADE... O SABIÁ !
Masé Frota

Tudo despertara azul naquele dia,
numa manhã de aragem fresca;
Digo quase fria, em despedida
do inverno...
Anunciando a primavera.

Faz tempo, mas lembro - me que...
Suavemente ao amanhecer, a natureza
deixava-se exalar suavemente um perfume
advindo das árvores floradas no que perfumadas
misturavam-se ao cheiro da terra úmida
em orvalhos líricos da madrugada.

Pensando bem... Naquele dia fui muito feliz
quando ao acordar contemplei claramente majestosa
beleza no canto mavioso do sabiá despertando
desejos em palavras a expressar num todo
minha admiração e encantamento.

Ouvia-se deveras
longe ...disputando com
parceiros, a glória em trepidar a
demora do tempo, à ser guerreiro no
seu modo de cantar.

Sei que minhas lembranças...
! Poderão quem sabe...!
aclarando a mente, lembrar paixões
versificadas e sincronizadas ...do
Célebre Poeta GONÇALVES DIAS
em poesia lida e decorada por todos nós
em época escolar com muita euforia...
“Minha Terra tem Palmeiras onde canta o SABIÁ”.
As aves que aqui gorjeiam... “Não gorjeiam como lá”.
Não se pode deixar por menos, mil inspirações
de poetas e escritores a escrever sobre o sabiá...

51-Sabiá
Márcia Rosali (estrela44)

Ai que saudades que tenho
sim, da "Rainha da Serra";
das fazendas, lá do engenho,
do ar bendito desta terra.

Todo dia era sagrado
seguir o mesmo ritual:
ouvir cantar o sabiá
à sombra do roseiral

As avezinhas nos ninhos
aguardavam pra voar...
nos acordes bem baixinhos
ao tom do mestre sabiá

Em suave e doce harmonia,
sob regência magistral
ouvia a linda sinfonia
no arvoredo do quintal.

as flores rindo se abriam...
e que aroma havia no ar !
E a natureza aplaudia:
pedia " bis" ao Sabiá.

Bons tempos... Não voltam mais
mas minha infância está lá
entre aves e roseirais...
no canto do Sabiá!

52-Lágrimas do sabiá
Guida Linhares

Ah! meu lindo sabiá
que ficas na minha janela,
entoando teu canto triste.

Serão saudades da tua amada,
que terá partido pra bem longe,
ou quem sabe vês meu coração.

E sentes que ele está saudoso,
de ver alguém que me encantou,
e agora está longe, muito longe.

Quando lembro dos olhos dele,
na hora da partida, tão tristes,
sinto vontade de chorar.

E talvez você sabiá,
com tua alma de poeta cantador,
afinas a tua alma com a minha dor.

Mas olha não te quero assim não!
Canta uma alegre melodia,
que ambos sentiremos alegria.

Sabiá...não vás embora,
será que tua tristeza é tamanha,
muito maior que a minha?

Para onde foste sabiá?
Ah, agora te vejo!
Estás debaixo da macieira.

E no chão jaz a tua amada,
toda ferida e ensangüentada.
E teu canto são as tuas lágrimas.

53-Sabiá
Giovânia Correia

Ah..sabiá só tu entendes a minha dor.
Todas as manhãs me despertando.
Com o teu canto de amor.
Todas as manhãs para mim cantando.
É como se me perguntasses como eu estou...
E embalada em teu canto.
Começo a despertar.
Esperando que o novo dia.
Possa as minhas dores apagar.
A dor da saudade que me sufoca.
A dor da solidão que me devora.
A dor de não ter os carinhos dele.
A cada dia e a cada hora.
Ah...sabiá como eu compreendo o teu cantar.
E tu compreendes a minha dor.
E assim eternizamos uma amizade.
Repleta de muito carinho e muito amor.

54-Glosando Gonçalves Dias
Gislaine Canales

PALMEIRAS E SABIÁS

MOTE:
Minha terra tem palmeiras
onde canta o sabiá,
as aves que aqui gorjeiam
não gorjeiam como lá...

Minha terra tem palmeiras
que se elevam majestosas,
mais parecendo bandeiras
verde-esperança, formosas

Nessa terra tão querida
onde canta o sabiá,
é sempre grande a acolhida,
tristeza nela não há.

Sem os cantos que alardeiam
nos foge a serenidade.
As aves que aqui gorjeiam
só trazem felicidade.

Em qualquer lugar fecundo
a voz das aves está,
mas não cantam tão profundo
não gorjeiam como lá...

55-Meu Sabiá
Odete Nazário _ EvaLuna
Portugal

Num sonho,
(doutra forma não podia)
Ouvi cantar para mim o Sabiá
Junto, estava também a cotovia
Entre as folhas do maracujá.

Voou sobre o meu sonho o sabiá
Redobrou no seu canto a melodia
Num azul feito de flores e luar
Beijou o sabiá a cotovia,
E foi na branca luz que envolvia
Que ouvi nesse cantar
Meu Oxalá.

56-Ah! Sabiá...
Priscila de Loureiro Coelho

Sabiá... Bem o reconheço
Como fiel companheiro
Mesmo passando ligeiro...
Meu dia sabe alegrar
Traz-me lembranças... saudade
Conseguindo me animar
Em sua simplicidade
Tem muito pra me contar...

Teu cantar é poesia
É quase uma oração
Louvando sempre Maria
Sabiá, ó sabiá.
Doce e terna companhia...
Alegra meu coração

Seu destino é a liberdade
Que o motiva a cantar
Sem se importar com a lida
Do cotidiano enfadonho,
Pois seu canto é na verdade
Melodia secular
Que encanta e canta a vida
Colorida no meu sonho
Que com você vai sonhar...

57-SABIÁ
Vanda Dias da Cruz

Em minha casinha simples no interior
Onde as plantas virgens ainda existem
Sem que as mãos do homem, predador
Possam machucá-las... assim elas resistem

Deitada na rede, apreciando a natureza
Fico a observar os pássaros nativos
E uma grande laranjeira bela e frondosa
Em seus galhos abrigam vários ninhos

Ao amanhecer acordo com a algazarra
Do sabiá que voa livre e canta sua melodia
Da minha janela vejo sua cor bizarra
Que me encanta me alegra e adoça o meu dia

O sabiá majestoso quando quieto em seu ninho
É reverenciado com o esvoaçar dos pássaros
Que fazem uma sinfonia trazendo o brilho
Para a minha vida com seus cantos raros

58-Sou o sabiá
S.Bernardelli

Sou o sabiá que no alvorecer vem te acordar.
Sou o sabiá que contempla a beleza do pomar.
Sou o sabiá que agitam minhas as asas para cada vez mais alto voar.
Sou o sabiá no galho que vive feliz a cantar.
Sou eu sabiá que constrói o meu ninho ao luar.
Sou o sabiá que beija flor!
Sou sabiá que canta ao voar.
Sou o sabiá que junto das flores vem à chuva refrescar.
Sou pássaro que sua vida vem encantar com o meu doce e alegre cantar.

59-Como será sabiá?
Maria Petronilho

Sabiá, que nunca vi
Mas escuto encantar
Aos poetas, teu cantar!
Como será tua cor,
Teu vôo, teu chilrear?
Disseram que nas palmeiras
Que aí há tu cantas tão diferente
Dos passarinhos de cá!
Imaginando te amo,
Encantando a minha tarde
Vendo o Tejo a passar…
Conhecem-te as suas águas,
Que percorrem todo o mar…
Mas não trazem as sereias
Teu segredo, sabiá!

 

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